quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lá vai minha filha


Cada um de nós tem etapas na vida, e cada uma delas tem suas características próprias.

Nós, eu e meu marido, estamos vivendo o momento do pós-casamento da primeira filha e a torcida pelo (a) primeiro (a) neto (a). E de vez em quando bate aquela saudade... E nesse clima de nostalgia, navegando pela internet eu encontrei esse texto. Sabe daquelas coisas que a gente diz, eu gostaria de ter escrito, pois é, é o próprio. Caiu como uma luva em tudo que eu gostaria de dizer e que eu estou sentindo. Portanto, quero trazê-lo aqui, prá todos, inclusive prá minha filha também.
Mais uma vez, eu não sei o autor, por isso só posso agradecer. Quando souber eu conto.

Lá vai minha filha...
  
        Lá vai minha filha do olho grande e da pele macia. A menina que estreou a mãe em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emoções, medos, encantamentos e aprendizados.
Crescemos juntas, eu aprendendo a ser mãe e ela aprendendo a ser ela mesma. Descobrimos duas palavras mágicas, ela me chamou de mãe e eu a chamei de filha. Palavras novas e  viscerais que  esperavam pacientes para se cumprirem.
Éramos duas sendo uma em muitos sentidos.
Carne da minha carne, fruto do meu amor, sonho dos meus sonhos. Ela me expandia e eu a protegia. Ela me dava a mão e eu todos os sumos.
 Ela me dava a eternidade e eu lhe dava asas.
Ela me alargava o coração e eu lhe ensinava a caminhar sozinha. Ela me cobria de beijos e eu a cobria de bênçãos. Ela me pedia colo e eu lhe pedia sorrisos. Ela me traduzia e eu a decifrava. Ela me ensinava e eu lhe
descortinava o mundo. Ela me apontava o novo e eu lhe ensinava lições aprendidas no passado.
Ela me falava de fadas e princesas e eu lhe falava de avós e gentes. Ela me emprestava seus olhos encantados e eu rezava por um mundo melhor. Ela me tirava o sono e eu cantava para ela dormir. Ela me alegrava a vida e eu vivia para ela.
Quando o filho nasce começamos a nos despedir dele no mesmo instante. Nosso elo só é enquanto no ventre. Depois somos seus abrigos,  condutores, provedores, sem nunca esquecer que eles começam a ir embora no dia que nascem. No começo o tempo parece parar. A plenitude da maternidade e a dependência dos pequenos criam uma ilusão de que será assim para sempre.
Mas não, eles crescem inexoravelmente em direção à independência. Cumpre-se o ciclo da vida e é melhor que seja assim, caso contrário significa que algo de muito triste, inverso ou perverso aconteceu.
Lá vai minha filha...
Assim seja!
Olho seus olhos enormes e profundos e vejo os mesmos olhos que ainda na sala de parto me olharam intrigados e solenes, como que me reconhecendo, me convocando… Eu, imediatamente disse sim à minha filha e a segui desde aquele instante, entregue. O amor que senti foi tão avassalador e instantâneo que  cheguei a ter medo.
Na hora que nasce o primeiro filho, a gente compreende a fragilidade da vida, a fugacidade das coisas e  passa a ter medo de morrer. O fato dela precisar de mim me torna única e imprescindível. Eu não podia falhar. A partir dali tudo mudou, meu espaço, meu papel, minha relação com o mundo: eu era sua mãe!
Crescemos juntas... mãe e filha. Ao longo desses anos rimos, choramos, brigamos, resolvemos impasses, estreitamos laços, vencemos batalhas, enfrentamos noites escuras. Contamos uma com a outra sempre. Às vezes era eu quem a socorria, outras, era ela quem me amparava.
Não foram poucas as vezes em que os papéis se inverteram e ela foi minha mãe. Às vezes me pergunto se eu dei a ela tanto quanto recebi. Sinceramente acho que não. Desde o momento zero, ela transformou minha vida e num movimento contínuo faz de mim uma pessoa melhor.
Lá vai minha filha apaixonada e confiante. Ensaiando voos, escolhendo caminhos, encerrando ciclos. Eu feliz penso:  Cumpra-se! 

8 comentários:

  1. Esse texto é lindo mesmo... Li agora (mais uma vez) e de novo os olhos encheram de água!
    Continue na torcida pelo neto, logo chega a hora.
    Obrigada, por tudo mãe.
    Bjo,
    Lica

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  2. Ana, puxa....como o tempo passa! Parece que foi um dia destes que vi a Lívia nascer e agora já vai ser mãe! Parabéns para a mãe a para os avóos. Beijo.

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  3. Calma,Marcinha por enquanto é só uma torcida nossa.Assim q for feita a encomenda te aviso imediatamente.Bjs.

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  4. Já pensou em vc sendo avó?
    E o Aroldo então?
    Até outro dia, esperávamops ele chegar de SP naquele fusca verde abacate.
    A Lívia e o Hugo serão abençoados no tempo de DEUS...Bjo!

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  5. ...E vc vai ter q dar banhinho como fez com a Lívia,certo? Bjs,minha memória viva.

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  6. Esse texto é da escritora Hilda Lucas. Coloque no Google e voce vai ver que ela tem muitos outros belíssimos tbm. No youtube ele vem com um música maravilhosa chamada Cariño. É pra gente se derreter em lágrimas de emoção.

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  7. Muito obrigada Solange. É muito bom a gente saber a autoria das coisas que amamos. Vou pesquisar outros textos da Hilda Lucas. E obrigada a vc tb. Pela visita e pela contribuição. Um grande abraço, volte sempre.

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